O governo chileno declarou, na segunda-feira (13), estado de emergência preventiva em dez regiões do país. A medida de precaução máxima foi tomada em resposta à aproximação de um sistema frontal de grande intensidade que promete castigar o território chileno com chuvas torrenciais ao longo desta semana.

De acordo com o boletim emitido pela Direção Meteorológica do Chile, a extensa faixa de instabilidade afetará uma vasta área do país. O fenômeno se estenderá desde a região do Atacama, na transição para o deserto ao norte, até a região de Los Lagos, no extremo sul. De forma geral, as precipitações devem ocorrer de maneira contínua entre esta terça-feira (14) e o próximo sábado (18).

O epicentro da tempestade

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Embora a chuva atinja boa parte do país, o cenário mais crítico está desenhado para a porção central e centro-norte do Chile. As regiões Metropolitana de Santiago, Valparaíso e Coquimbo foram colocadas sob o nível de alerta mais severo.

Entre sexta-feira e domingo, quando o núcleo do sistema frontal estacionar sobre essa área, os modelos meteorológicos preveem acumulados assustadores de até 180 milímetros de chuva. Para se ter uma ideia da gravidade da situação, esse volume representa mais da metade de toda a chuva esperada para um ano inteiro na capital chilena.

Em Coquimbo, área caracterizada por um clima semiárido, a situação é agravada pela natureza do solo, que possui baixíssima capacidade de absorção, tornando as inundações urbanas e rurais quase inevitáveis.

Risco de deslizamentos e colapso hídrico

As autoridades estão em alerta máximo não apenas pelo volume de água que cairá do céu, mas pela forma como essa água se comportará ao encontrar a Cordilheira dos Andes. O grande temor dos especialistas é o fenômeno da "isoterma zero alta". Se a temperatura permanecer quente nas partes elevadas da montanha, choverá água líquida em altitudes onde normalmente deveria cair neve.

Esse cenário é o gatilho perfeito para os temidos aluviones — deslizamentos violentos de terra, lama e pedras que descem as encostas da cordilheira (precordilheira) arrastando tudo o que encontram pela frente em direção aos vales habitados.

Outro impacto imediato que preocupa milhões de chilenos é a segurança do abastecimento hídrico. O Rio Maipo, principal fonte de água de Santiago, é altamente vulnerável a esses deslizamentos. A lama que desce das montanhas eleva a turbidez do rio a níveis extremos, o que frequentemente obriga as concessionárias de água a paralisarem suas plantas de tratamento, resultando em cortes massivos de água potável para a população.

Ação governamental

A declaração do "estado de emergência preventiva" logo no início da semana foi uma manobra fundamental das autoridades para evitar uma tragédia maior. Com esse status, o governo federal ganha agilidade burocrática para:

 Desbloquear fundos emergenciais instantaneamente;

 Mobilizar contingentes das Forças Armadas para atuar na logística e prevenção;

 Ordenar evacuações forçadas de comunidades em áreas de risco antes que as encostas cedam.

As autoridades de proteção civil reforçaram o apelo para que a população evite viagens não essenciais, limpe calhas e ralos, e mantenha-se afastada de leitos de rios e encostas andinas durante todo o fim de semana. A Defesa Civil segue monitorando o avanço do sistema frontal minuto a minuto.