Quem é o melhor?
Quem é o melhor?


É uma das grandes teses de botequim e das bancadas da imprensa esportiva: se não fosse a grave lesão no joelho (rompimento do ligamento cruzado anterior) sofrida em 2018, Pedro Guilherme seria hoje a versão sul-americana de Erling Haaland? A resposta para esse debate fascinante é um categórico não. E o motivo passa longe do departamento médico: a essência do futebol dos dois é, desde a base, fundamentalmente oposta.

Na época em que defendia o Fluminense, a lesão de fato mudou drasticamente a rota da carreira do atacante, no exato momento em que uma proposta do Real Madrid estava na mesa. É inegável que, com os dois joelhos intactos aos 21 anos, o caminho natural seria a primeira prateleira do futebol europeu. No entanto, taticamente, a comparação com o norueguês do Manchester City não se sustenta.

Genética e Perfil Físico: A Explosão contra o Controle

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Erling Haaland é um fenômeno atlético. Seu jogo é quase inteiramente baseado em explosão muscular, aceleração em campo aberto e força física para atropelar linhas defensivas. Ele ataca o espaço vazio em velocidade máxima como poucos na história moderna.

Pedro, por outro lado, nunca foi um velocista. Mesmo no auge de sua forma física inicial, sua genialidade residia no controle direcional da bola em espaços curtíssimos — uma herança direta dos tempos de futsal. Seus trunfos são os reflexos rápidos para finalizar de primeira e a envergadura para proteger a bola de costas para a zaga.

O Papel Tático: O Destino Final contra a Parede

O atacante norueguês brilha em ecossistemas desenhados para acioná-lo em profundidade ou com cruzamentos precisos para a área. Ele é, na maioria das vezes, o destino final letal de uma transição rápida.

No atual contexto tático do Flamengo, especialmente nas variações do 4-2-3-1 estabelecidas por Leonardo Jardim, Pedro é um construtor de jogadas fundamentado no trabalho de pivô. Sua função primordial, além dos gols, é reter a posse, atrair a marcação pesada dos zagueiros e servir de "parede" para as infiltrações em velocidade dos meias, como Arrascaeta, e dos pontas. Ele joga de forma associativa com a equipe.

O Verdadeiro Paralelo Europeu

Se fôssemos buscar paralelos na Europa para o que o camisa 9 rubro-negro projetava ser — e é na realidade sul-americana —, o molde seria outro. Pedro tem um perfil muito mais próximo de um Robert Lewandowski ou de um Karim Benzema. É o centroavante clássico, alto e de técnica absurdamente refinada, que não precisa dar "sprints" de 30 metros porque a bola e o posicionamento inteligente correm por ele.

O joelho tirou do artilheiro uma fração de mobilidade e atrasou seu salto europeu. Mas, em compensação, pavimentou o caminho para que ele se transformasse no centroavante mais cerebral, técnico e letal em jogo apoiado do continente. Não temos o Haaland das Américas; temos um jogador único que rege o ataque com a frieza de quem pensa o jogo antes mesmo da bola chegar aos seus pés.